Nostalgia: um sentimento de saudade do passado. Termo inicialmente criado para descrever a sensação de soldados na guerra em relação às suas casas. No geral, um sentimento amplo que possui múltiplas versões. Neste momento, irei me debruçar unicamente sobre a nostalgia com os jogos de videogame. Ela é real? E como ela altera as percepções do presente?
Inicialmente, temos um pano de fundo, um ambiente e um cenário próprio com games que servem de base para a nostalgia. No meu caso, e no de muitos, é a infância. Os jogos jogados na infância tinham outro ar, outra "pegada"... Jogar quando criança, em um ambiente de poucos recursos, no qual eu via apenas um jogo novo ou dois ao ano, é um cenário que diverge do atual, em que posso comprar o jogo que eu quiser, quando quiser, e jogar praticamente de forma instantânea.
O ambiente era outro, as circunstâncias eram outras. Lembro-me de que, entre 1992 e 2002, tive um Hi-Top Game (famiclone) e um Super Nintendo. Tive sete cartuchos entre 1995 — ano em que ganhei meu Super Nintendo — e 2002, ano em que o vendi. Além dos cartuchos que eu possuía, havia locadoras e empréstimos de amigos. No geral, em todos os sete anos em que aproveitei este videogame, devo ter tido contato com cerca de 50 jogos. Terminei, talvez, uns 20.
Isto foi nos anos 90, era pré-internet. Na época, precisávamos de revistas de videogame para encontrar dicas e segredos. E não havia como controlar o que seria impresso naquele mês; portanto, aquelas dicas para o seu jogo poderiam demorar meses ou nunca serem publicadas.
Passando para 2026, hoje o acesso é amplo, os jogos são mais baratos e, na forma digital, são completamente acessíveis. E aí a nostalgia entra. Tentei jogar alguns títulos da minha infância recentemente, como Yoshi’s Island, Super Mario World, Sunset Riders, Blackthorne e Donkey Kong Country. E vou te falar algo que me surpreendeu: os jogos são bons, mas o impacto ao jogá-los hoje não é o mesmo.
Não é a magia de antes; somente jogar não é o suficiente para reviver a nostalgia de outrora. Minha vida nos anos 90 era outra e, consequentemente, o jogo por si só não traz consigo todas as lembranças da época. É impossível emular as sensações de quando comprei Tomb Raider para PC pela primeira vez. É impossível emular a surpresa de ter ganhado um cartucho de Donkey Kong Country ou a emoção de jogar Command & Conquer: Red Alert e terminar os dois discos sem auxílio de nenhum guia.
O ambiente vem em lapsos de memória, mas não se materializa como os jogos. A nostalgia é um misto de sensações, e não apenas o produto "videogame". Aqui, temos o jogo como um gatilho mental de uma época que já passou. Simular todas as sensações é um processo cerebral único; no entanto, nada se repete, pois cada nova memória altera a anterior. A história fica marcada, mas os detalhes são perdidos.
Bons jogos? Sim, ótimos jogos, mas não consigo mais jogá-los da mesma forma. As mecânicas evoluíram e alguns parecem datados. São, claro, ótimos para o seu tempo, mas hoje alguns deles não têm grande valor, a não ser o nostálgico.
Terei nostalgia dos jogos atuais daqui a 30 anos? Não sei. Talvez este texto se perca no tempo. As coisas mudam, os interesses mudam e até mesmo nossos sentimentos em relação a ideias, pessoas e objetos se alteram. No final das contas, há que se viver o agora, pois o amanhã criará sua própria versão de hoje, reinterpretada por novas ideias oriundas de novas descobertas no curso da vida.