Magic, um jogo de cartas colecionáveis lançado em 1993, bastante popular e que dura até hoje. É um jogo interessante mas de complexidade muito alta. Ou melhor, jogar é simples, o difícil é pensar em combinações de cartas das quase 30mil cartas únicas já impressas. E mais, o jogo se subdivide em formatos competitivos diferenciados que é realmente um exercício mental complexo saber o que foi lançado, quando, quais as melhores cartas…
E para piorar, as cartas tem um preço de acordo com a raridade e funcionalidade. Cartas antigas eram impressas em menor quantidade, então ter um terreno não básico duplo das edições iniciais hoje é cerca de milhares de reais ou dólares por carta. O mercado deste jogo é gigantesco e existem cartas que valem dezenas ou centenas de milhares de dólares.
Ultimamente a wizards of the coast, empresa do Magic, vem lançando coleções com propriedades intelectuais de terceiros. Enquanto escrevo isto aqui já vi One Piece, League of Legends, Tartarugas ninja, Homem Aranha, Final Fantasy, Disney, Senhor dos Anéis, e certamente devem haver mais alguma meia dúzia de coleções temáticas de tudo que é possível se imaginar e que atraia um público novo ao card game.
Mas vamos falar do começo. Como entrei nessa? Em 1998 fiquei sabendo da existência do jogo e imaginava que era só um jogo de coleção de cartas. Lembro de ter ido com meu pai na Progames, a também conhecida como Neo Games no Água Verde aqui em Curitiba. Gastamos cerca de uns 25 reais em um deck fechado de “Tempestade” e acho que foi mais um booster de Saga de Urza. Não lembro ao certo o que veio no booster, mas lembro que peguei uma pétala de lótus e foi minha primeira troca na loja de cardgames da cidade, a ITIBAN.
Alguns meses depois tentei aprender como se jogava, mas eu não tinha terrenos básicos para fazer o básico do jogo. Então acredito que um jogador da Itiban disse que poderia me vender muitas cartas por um preço bem ok, e comprei acho que facilmente umas 1000 cartas na época, e os meus terrenos básicos vinham junto. Foi coisa de 50 reais, mas para 1998 era bastante dinheiro. O deck na época era uns 17 reais e os boosters custavam entre 4 e 7 reais.
Um ano depois fui praticamente colecionando cartas e não tinha muita gente para jogar contra. Lembro de ter aprendido muito com um jogo de Magic para PC, que tinha alguns decks e era baseado acho que nas cartas antes da quarta edição. Aprendi a jogar naquilo, terminei o jogo de PC várias vezes no entanto era uma experiência bem limitada.
Por volta dos anos 2000 eu ia várias vezes por mês na loja mas eu não tinha noção nenhuma de preço das cartas. Lembro que a galera seguia os que estava nas páginas finais da revista dragão Brasil. Mas em uma época basicamente sem internet, era difícil saber o preço a não ser sendo um jogador muito avançado, ou aqueles jogadores que viviam nas lojas e sabiam tudo em detalhes.
No ano 2000 outro amigo de escola resolveu me vender a coleção dele, e foram aí mais umas 1000 cartas. Nesta época eu não comprava boosters, mas comprei alguns decks fechados, lembro de um vermelho e preto e outro que era preto e azul de Invasão. Eu gostava de jogar com os decks prontos porque não precisava ficar montando deck e eles eram ruins, então você comprava dois decks ruins da mesma coleção e eram equilibrados, fora que já vinham com lands.
Por volta de 2001 fiz umas trocas desastrosas, do tipo, trocar uma carta valiosa valendo 100 reais (muita grana na época) por 20 reais em cartas fracas. Como eu não sabia muito os valores eu ia trocando. Nesta época peguei em um booster de saga de Urza um “Gaia’s Craddle” que hoje em 2026 vale 1000 dólares. E troquei na época por bem menos que valia, então uns me chamavam de “Token”, se referindo a um marcador de jogo, não ao autor do senhor dos anéis. Gostei do apelido e usei por um tempo até descobrir que era uma espécie de xingamento e não um elogio.
Em 2001 fui no Grand Prix de Magic que teve em Curitiba, um evento te ordem internacional. Foi muito legal fazer as trocas lá, mas eu era muito peixe pequeno, tinha uma pessoal com pastas e pastas de tudo que você imagina, sets foils, entre outras coisas que eram muito caras para a época.
Em 2002 eu ia nas lojas Heroes, Rockie Racoon e Itiban, e comecei a montar os decks que eu queria, montei um deck de goblins bem interessante para a época e montei um deck de land destruction com combo de Magnívoro, que era uma carta muito lixo. O meu deck de goblin ganhava vez ou outra, mas o deck land destruction devia ter uma taxa de vitória de menos de 20%, era bem ruim.
Nesta época Magic começou a ficar meio caro, e eu estava interessado em CDs, Jogos, Gravar CD e arrumei uma namorada no ensino médio que sugava a pouca grana que eu tinha. Troquei prioridades, e os decks novos de Magic não me atraiam mais, lembro que nessa época veio a expansão Odisséia e decks de Psychatog dominavam, tudo começou a ficar sem sentido e vendi todas minhas cartas. Eu tinha uma caixa grande, praticamente duas caixa de sapato de cartas, mais meus dois decks com shield bons.
No final, nunca progredi no hobby, acho que nesta época, nos 5 anos que joguei devo ter gasto o equivalente a uns 3 salários mínimos (da época) em cartas, decks e boosters. Fora as cartas single que eu comprava pra fechar deck. No geral nunca fui um grande jogador, mas colecionar as cartas era o que mais me interessava. Fazia alguns decks mais simples, jogava com meus decks ruins prontos e jogava com um amigo meu, o André Madalozzo. Mas ele estava em outro nível, comprava caixa de booster e tinha decks mais competitivos para a época.
Pois bem, e agora, 2026, dá pra voltar a jogar? Dificilmente, a não ser que você venda um rim. Decks no formato Pauper, que é o formato mais barato de magic custam em média 100-200 dólares. Na cotação atual do real com o dólar, são decks de 1000 reais. Isto no modo mais barato.
Eu gostei da idéia de jogar o modo commander, com 4 pessoas na mesa. É extremamente divertido, mas os decks são caros. 2Mil, 3mil reais um minimamente competitivo. São decks de 100 cartas e envolve muita land rara e normalmente a base do deck são cartas incomuns e raras e até as cartas comuns que estes decks usam tem o preço inflado. Então fica difícil hoje em dia entrar no hobby novamente. O preço atual disto tudo é muito alto, porque entre outros fatores, o dólar vale quase 6 reais agora em 2026.
Agora, se eu tivesse grana sobrando, ganhasse na loteria e tal, eu faria o seguinte. Montaria 10 decks commander equilibrados e de nível médio-alto para jogar com amigos no mesão. Depois compraria 20 decks pauper competitivos para jogar 1x1. E só. Não me meteria em jogar outros formatos, porque o Modern tem decks de 5 a 10 mil reais, e o Legacy chegar a ter baralhos de 50mil dólares (com cartas de 1993). Então fora de cogitação.
Estas coleções novas temáticas eu acho muito bonitas, mas só encararia eles se eu fosse colecionar e não jogar. Ter uma coleção de Final Fantasy ou Senhor dos Anéis seria muito legal, pastas com todas as cartas acessíveis publicadas. No fator coleção acho justo, mas isto custaria outro rim.
E sem os dois rins, o que fazer? Acho que o preço deste jogo é impeditivo até mesmo no exterior, quanto mais aqui no Brasil em que a moeda não vale nada. Se for jogar algo pra brincar, a melhor opção é o Magic Arena, software para jogar, você joga, coleta boosters virtuais, e se diverte no competitivo com cartas virtuais. A melhor parte é que ele pode ser totalmente gratuito, mas sempre tem como gastar grana dentro dele, o negócio é não entrar na toca do coelho, pois dá para queimar milhares de reais neste hobby e nunca estar satisfeito.