O problema dos jogos para mim hoje

24/04/2026 Jogos

Jogo videogame desde os 5 anos. Com períodos em alta e em baixa. A última alta foi de 2008 a 2012, dos meus 20 aos 24 anos de idade. Desde então é uma descida vertiginosa, uma redução no hábito ano após ano. E um desinteresse que só aumenta.

Gostaria de deixar claro que não detesto jogos ou acho eles inúteis. Mas fui de uma época em que jogava 20 a 30 horas semanais, para hoje jogando 1 hora ou menos por semana. Eu acredito que fico mais tempo no meta, que nos jogos. Assisto reviews, notícias e acabo gastando algumas horas com isto no youtube, mas jogar de verdade é muito raro.

Hoje tenho um setup robusto e praticamente infinito de possibilidades. Uma conta steam, que quando compartilhada com amigos possibilita jogar 1400 jogos a qualquer momento. Um emulador portátil que tem mais de 800 jogos retro. Um 3DS com mais de 100 jogos de DS e 3DS que ainda não peguei. Considerando que eu viva mais 40 anos, quase 2300 jogos para jogar neste período seria 57 jogos a se terminar por ano. E nem estou contando aqui o fato que estas coleções crescerão e mais jogos serão lançados nestes próximos 40 anos.

O problema é que hoje tenho o que sempre quis, que é o acesso a jogos. Para quem em sua infância teve só 7 fitas de super nintendo e cerca de 15CDs de jogos para PC, ter milhares de possibilidades assusta. É o sonho de toda criança, muitos jogos disponíveis e meios para jogar.

Comprar jogos parei ano passado, fiquei uns 8 meses sem nenhuma aquisição na steam, até recentemente aparecer um humble bundle com temática de jogos com xadrez. Passei o cartão e só testei 2 jogos dos 11 do pacote. Mas é interessante o fato que a página inicial da steam e suas ofertas pararam de fazer sentido para mim, mesmo meus jogos de wishlist com bons descontos não me interessam muito a ponto de adquirir novos jogos.

O ponto é, jogos para mim possuem alguns problemas. São simples problemas que a cada dia faz com que eu invista menos tempo neles. Vamos lá:

Nesta hora você deve estar pensando, mas o problema é o digital ou a vida real? O ponto é que hoje pode ser um elden ring um um mario bros, as dificuldades encontradas em jogos são pífias perto da realidade do mundo. Este tempo utilizado para conquistar conquistas, troféus e metas online pode muito bem ser utilizado para a resolução de problemas reais fora das telas.

Não estou dizendo que isto tudo invalida os jogos. Só digo que para mim ficar 20-30-50h semanais em um mundo de fantasia é uma fuga e que conquistas virtuais são extremamente efêmeras, duram uma partida, talvez possam ser representadas por um troféu virtual, mas na realidade elas não alteram significativamente a vida de ninguém. Nem do jogador nem do seu entorno.

E vem sempre aquela pessoa apontar o dedo e dizer que é só diversão, não deve ser levado a sério. Eu entendo este ponto, mas ao mesmo tempo que gosto de jogos vejo muitas pessoas que somente dedicam tempo e esforços na vida a eles. Este tipo de jogador vejo como prejudicial, não somente a ele próprio mas a uma sociedade como um todo. É um consumidor, dificilmente um criador e intérprete da realidade. Um marcador de missões virtuais enquanto a vida pessoal desaba ao seu redor. Digo sim de pessoas que fogem do mundo pelos games, não todos, mas muitos são assim. E já conheci muitos nessa situação.

E quanto é o tempo certo para jogar? Depende claro, da pessoa, do tempo livre disponível para o hobby, do tempo que está destinando a outras pessoas, familiares, comunidade. A partir do momento que há uma redução da interação com o real em prol do virtual, ao meu ver há um problema aqui.

Sim, outras pessoas fazem isto com TV, redes sociais, idas frequentes ao bar e até mesmo academia ou esportes. Utiliza um hobby como uma desconexão da realidade e não o contrário.

Confesso que por 5 anos jogava entre 20 e 30 horas semanais, e vendo hoje minha vida com uma redução significativa de tempo com games consigo ver mais faces da realidade que naquela época nem cogitava em ver. Sei que muito estão perdidos nesta situação.

E claro, há casos e casos, na pandemia me “internei” no lockdown no stardew valley. Tive uma espécie de hiperfoco por 2 meses no jogo e jogava 10 a 12h por dia sem problemas. Existem momentos e momentos para se desligar dos jogos. Não dá para escrever com ferro e fogo. Mas alguém que se comporta neste cenário, jogando mais de 40h semanais (que é mais que o tempo de trabalho) eu já considero um caso de irresponsabilidade com a própria vida.

E é esse o problema? Conquistas fúteis, desconexão da realidade e fuga do mundo real? Sim, eu diria que estes 3 problemas são bem fáceis de se alcançar. É não é só os jogos que causam isto. Mas eu, reduzindo meu tempo com jogos consigo hoje perceber nuances que antigamente tinha dificuldade. Os jogos eram uma neblina ao meu redor que me impedia de ver muita coisa. Para uns isto é justamente o lado positivo dos games, mas não compreender a realidade e não se desenvolver socialmente, profissionalmente e economicamente nela enquanto uppa stats de um char qualquer em um mundo virtual por centenas de horas, eu acho certamente preocupante. Sorte que saí dessa.