Quase fui Clubber

19/05/2026 Impressões

A subcultura clubber emergiu no final da década de 1990 e ganhou muita força nos anos 2000, trazendo consigo uma estética visual única e trilhas sonoras marcantes. Eu acompanhava essa cena pela internet incipiente daquele período e, principalmente, sintonizando a Jovem Pan entre 2001 e 2004. A rádio transmitia muito eurodance, house, techno e disco, tudo misturado ao pop e à dance music de vanguarda.

Lembro-me de ter visitado uma loja voltada a esse público no shopping da Vicente Machado. O espaço era totalmente iluminado por luz negra, repleto de equipamentos de malabares em verde fluorescente, piercings por toda parte, incensos, espelhos, além de CDs, globos espelhados e feixes de laser espalhados pelo ambiente. Cheguei a ter uma camiseta verde-limão nesse período, mas esse foi o meu contato mais próximo com as pistas de dança.

Afinal de contas, eu tinha apenas 13 anos, e o rádio era a minha única ponte com o universo das danceterias. Recordo que house, R&B, techno e disco pareciam uma coisa só na minha cabeça: "música da Jovem Pan", como eu costumava chamar.

Hoje, ao rever esse material, percebo o quanto aquela identidade visual conversava com o estilo do Windows XP. A virada do milênio foi muito marcada por luzes, efeitos de transparência, botões arredondados e com aspecto tridimensional. Isso me traz fortes lembranças das skins do Winamp, o player que dominava as telas de computador. No geral, era um design característico que, somado a uma economia global em ascensão (antes da crise de 2008), moldou um movimento cultural bem peculiar.

Assistindo a alguns clipes antigos, penso no privilégio que foi curtir aquele som sem o filtro da internet moderna ou das redes sociais. Era a chance de integrar uma "tribo", como se dizia antigamente. Embora conhecesse poucas pessoas que consumiam rádio 24 horas por dia como eu, sentia que havia uma comunidade inteira reunida na noite, divertindo-se sob luzes de neon e dando vida a uma subcultura que foi única daquele momento.