Já havia postado minha insatisfação com o hobby antes, acho que mês passado. Vou pontuar melhor agora.
Nesta semana comprei e tentei rodar uns jogos novos e certamente não é mais para mim isto tudo. Não vejo perspectiva de retorno a como era. As coisas mudaram, eu uso um potente ROG Ally como PC. Um portátil de 7 mil reais para acessar youtube, ouvir música e escrever estes textos para o blog. Usabilidade infundada e bem coerente com minha não vontade de jogar. Comprei os Dragon Quest remakes, queria os jogos, achei que conseguiria me interessar novamente. A verdade é que não deu.
O problema não é o jogo, mas é eu olhar para o meu tempo ser utilizado para resolver problemas virtuais de personagens que não existem apertando botão é um certo desperdício de vida. Não vou te negar, gosto de um tetris as vezes, um Picross, um jogo arcade, puzzle ou passatempo rápido. Mas estar ativamente gastando meu tempo de vida em algo que não me gera nada é complicado.
Não gerar nada é a realidade, não fico mais alegre, não fico mais triste, jogar se torna uma infindável busca de motivos inegociáveis. Digo isto porque instalo, coloco para rodar e agora... qual o motivo eu ter ligado isto? Uma história bem contada é certamente melhor nos livros (só quem não lê acredita que história de jogo é fantástica), uma música é melhor com uma escuta ativa sem distrações, metas e objetivos na vida real são mais recompensadores que coletar itens no cenário, uppar level ou fazer side quests infindáveis.
Hoje vejo os jogos como um nada. Não há nada que consigo aproveitar deles, mesmo vendo pessoas ao meu redor se deleitarem com gameplays fantásticas, cenários inovadores e histórias novas. Não consigo ver isto mais nos jogos. Não é uma questão de depressão, eu também já estou há praticamente 8 anos sem filmes e séries, bem como TV. Ao meu ver as coisas perdem sentido com o tempo, talvez no futuro o interesse volte, mas hoje jogar para mim é um grande atrito, uma fricção absurda para começar e uma expectativa imensa para tudo terminar logo. Não quero investir meu tempo de lazer em mundos virtuais para não ter um grande retorno em troca, nem mesmo em questão de diversão.
E aqui eu penso, nem tudo é produtividade, nem tudo são metas a se alcançar. Trabalhar sem se divertir é um desperdício de vida. Mas hoje jogos não me divertem como há 5 ou 10 anos. Na real, a minha diversão hoje com jogos beira a zero. Minha última experiência catártica com games foi “Stardew Valley” na pandemia e estava jogando sem obrigações na época por causa dos lockdowns e em multiplayer com minha namorada da época, platinei o jogo em mais de 240h. Foi uma experiência excelente mas desde 2020 não sinto o mesmo para jogo nenhum. É engraçado eu dizer isto, porque o Stardew Valley é um jogo de craft e simulação focado em produtividade. Em tese eu estava trabalhando enquanto eu não podia trabalhar.
Bom, não sei agora, tenho muito hardware para jogos, vender tudo seria uma precipitação. Manter tudo só me desmotiva ao saber que é dinheiro parado inutilizado. A conta de steam e gog, já foi queimado o dinheiro, não tem retorno mais. Os portáteis são comercializáveis, este ROG Ally também. Mas os jogos para mim sempre foram uma questão de acesso. Quando criança não tinha acesso, ganhava 1 ou 2 jogos ao ano, passei a geração super Nintendo com 7 cartuchos, as limitações eram maiores. Como adulto descontei toda esta limitação em 560 jogos na steam comprados em 15 anos. Poder jogar sempre foi uma barreira para mim, e hoje eu posso, posso jogar tudo que tenho, mas não quero.
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