Hoje estive em uma aula de Português. Bom, estou atuando como professor de educação especial, então fico na sala e acompanho todas as aulas para auxiliar os meus alunos que necessitam de suporte.
Português, morfologia. A professora explica sobre classes de palavras, fornece exemplo e preenche praticamente 3 quadros inteiros com exemplos de uso. Depois, coloca 8 frases no quadro para uma análise morfológica simples.
Assim, as frases eram elementares, nada muito complexo, nada de verbo transitivo indireto, locução adverbial nominal, pronomes de alta complexidade. Era só substantivo, artigo, numeral, advérbio, verbo e adjetivo. E os alunos não faziam ideia do que estava acontecendo.
Começando pelo “O”, o que é isto? E sim, estudantes chamaram o “O” inicial da frase de tudo, até mesmo de verbo. “É” virou advérbio, adjetivo e até substantivo para os estudantes. E isto é só a ponta do iceberg.
O que me assusta é que 20 minutos antes tudo foi explicado com cuidado pela professora, dezenas de exemplos. Mas nada pareceu se fixar na mente dos estudantes.
Culpados... não sei... de quem é a culpa se a professora deixou muito claro na sua explicação os tipos morfológicos das palavras? O pior é estarem no segundo ano do ensino médio. Não há mais volta em um conteúdo que é desenvolvido no ensino fundamental e somente revisado no ensino médio. Quem aprendeu, aprendeu. Quem não aprendeu se fudeu. (rimou!)
Eu assistindo a aquilo tudo achei que eu estava em uma esquete de comédia. Não faz sentido a palavra “dois” ser chamada de tudo menos numeral. Não faz sentido que eles não saibam que “é” é um verbo. Advérbios eu até entendo uma certa complexidade, mas adjetivos são óbvios. Conjunção e Pronome eu relevo, MAS NÃO SABER QUE “DOIS” É NUMERAL foi muito angustiante.
Eu sentado na cadeira, perplexo, observando a qualidade do ensino público. Por um lado, não culpo a professora, a aula dela foi muito boa, até mesmo aprendi mais sobre locução adverbial. Mas como estes estudantes chegam no segundo ano do ensino médio assim?
Uma tragicomédia. Não sei se esta aula foi um sintoma da educação atual, se foi só um recorte específico de Matinhos ou desta escola. Mas com vários sintomas destes daqui a pouco traço um diagnóstico disto tudo.
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